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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos [komentarista@uol.com.br]



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Mais corpos e políticas: televisão

Estava hoje assistindo a um programa de televisão, Extreme Makeover (exibido no Brasil pelo Canal Sony, e nos EUA pela rede ABC), e percebi que meu argumento sobre como Kalatozov e Cronenberg têm tudo a ver estava sendo encenado ali, diante de meus olhos. Ou seja, o encontro aconteceu, e acontece faz tempo, e está cada vez mais visível e importante. O programa parte de uma premissa bastante simples: algumas pessoas são escolhidas e o programa lhes paga cirurgias plásticas, para que mudem o seu visual, "melhorando" assim sua aparência. Num mundo cada vez mais dominado por imagens, a nossa aparência exterior é cada vez mais um aspecto fundamental da nossa identidade. Quem mora em grandes centros urbanos talvez sinta isso mais de perto, mas o fenômeno ocorre em toda a sociedade, e no mundo inteiro. Política. Quem não tem o visual correto, ou desejado, se vê claramente em desvantagem na sociedade. Prazeres. Muitas pessoas querem simplesmente brincar com seu visual, ou agradar aos seus maridos e esposas. A questão renderia muitos textos, e quero aqui apenas evocá-la, para me conter dentro do espaço limitado de um blog e do seu ritmo de leitura. Não me canso de assistir o programa: ver a emoção das pessoas quando os curativos são retirados é grotesco e, ao mesmo tempo, me toca, pois aquele tipo de felicidade é realmente extrema, a experiência como um todo é extrema, e ao mesmo tempo cada vez mais banal. Quando uma mulher se vê com um novo nariz, ou novos dentes, ou sem aquela barriga flácida, ou com novos seios. Ou aquele cantor falido que, após a sua transformação, se sente capaz de conquistar o mundo. Podemos analisar a visualidade do programa, como quando se apresenta a equipe de cirurgiões plásticos. Me faz lembrar jogos eletrônicos, quando os diferentes personagens são apresentados, ao lado sendo expostos as suas qualidades e super poderes. Ou mesmo propaganda política, quando vemos o rosto sorridente do candidato, ao fundo uma música emocionante. Bizarro ainda é o momento da "revelação" da pessoa transformada aos seus amigos e parentes: a pessoa surge por detrás de uma cortina, num palco ou escadaria, fazendo a típica "entrada triunfal". É o triunfo da imagem sobre o corpo? Do corpo e da imagem sobre a política? Da televisão sobre nossos corpos? Do homem sobre as suas limitações? Valores impressos na carne.

 

Ingrid, a 35-year-old accountant from Aurora, CO, is tired of feeling invisible because of her appearance. For years she's been passed up for jobs because of her looks, particularly her bad skin and wild and frizzy hair. Many times employers have scheduled job interviews with her, but once they saw her, they would turn her away and claim they weren't hiring. Ingrid's dream is to own an accounting consulting business. However, before she can help business owners get a handle on their finances, Ingrid wants an extreme makeover to help her get a handle on her overall appearance.

[fonte do texto e imagens: site oficial do programa Extreme Makeover: http://abc.go.com/primetime/extrememakeover/bios/92366.html]



Escrito por Komentarista às 02h12
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Digerindo a crise

Algo difícil, assim ainda no meio da tempestade, tentar tecer comentários mais equilibrados a respeito de tudo que está acontecendo. Mas como este blog é altamente especulativo, teórico e se permite vôos da imaginação pelo puro prazer de pensar, então me coloco aqui a escrever algumas das coisas que têm me passado pela mente a cada novo escândalo. O caso Daslu, a princípio uma simples operação da Polícia Federal contra evasão de impostos, tomou rapidamente uma dimensão simbólica muito grande por conta dos significados mobilizados no decorrer da ação. A nova loja da Daslu já nasceu simbolicamente importante: era o novo tempo dos ultra-ricos, um espaço sagrado do capitalismo brasileiro, além de uma escultura, encravada no espaço urbano paulistano, que simbolizava a sua elite local bem-sucedida. Mais do que uma mega loja, a Daslu (assim como fora o magazine Mappin Stores nos anos 1920) se consolidou como essa homenagem à elite paulistana e aos ricos brasileiros, antenados com o mundo. Quando a pessoa que encarna esse simbolismo, a empresária Eliana Tranchesi, se vê presa em sua própria casa, a elite se vê submetida a um jogo normalmente reservado aos mais pobres, marginais e desqualificados. O timing da operação da PF ajudou a exacerbar os ânimos, pois tudo ocorreu num momento de desconstrução do PT e do governo de Lula como alternativas de poder viáveis para o país. Talvez, quem sabe, a desconstrução da idéia de que outro grupo, que não essa elite “dasluniana”, possa um dia governar com sucesso a nação. Não estou aqui avaliando a maior ou menor capacidade desse ou daquele agrupamento político de ser governo, pois não é disso que se trata aqui. Tento sim interpretar significados, que orientam ações, e que podem nos dar pistas do que está por vir. Bom, quando a elite tucana paulista finalmente se vê prestes a destruir o seu concorrente mais poderoso (pois em São Paulo a oposição PT vs. PSDB é mais efetiva do que em outros estados, me parece), parece que há um revide. Como disse Hebe Camargo (outra figura-símbolo paradigmática dessa elite paulistana), parece que houve a tentativa de desviar a atenção dos escândalos de Brasília. Ricardo Noblat, em seu blog, comenta a formação de uma bancada da Daslu no congresso, composta por parlamentares de todos os partidos que se revoltaram com a truculência da ação da PF. Ora, por que uma loja, ou uma empresária, valeria tamanha mobilização? Mas não se trata de uma loja somente, mas de um símbolo. Nos vemos, novamente, frente aos fantasmas da famigerada “luta de classes”, e teme-se que Lula abandone sua postura pró-mercado para começar a “perseguir a elite”. Algo que não aconteceu durante todo o governo petista parece começar a ocorrer: uma divisão clara de campos pró e contra a ação da PF marca grupos que, outrora, talvez preferissem manter-se discretamente fora dos holofotes. Temos pessoas aplaudindo a igualdade de tratamento nesse caso (rico também leva batida policial), e temos outras reclamando de perseguição. Esse tipo de polarização, e começo a especular, parece ser interessante para aumentar o nível do debate político no país (tão afeito ao apaziguamento de conflitos), mas por outro lado, e sempre volto nesse ponto, pode nos levar a um estado de coisas similar ao do governo de João Goulart, o que não seria nada desejável. Post scriptum especulativo: Seguindo a trilha aberta pelo post anterior, penso que podemos ler a derrocada do PT como o esgotamento de todos os projetos políticos surgidos no seio das lutas contra a ditadura. Nos palanques do MDB vimos surgir a elite política que nos governa desde a redemocratização, e sucessivamente esses projetos fracassam, de forma mais ou menos retumbante, e as figuras de Lula e Fernando Henrique foram os últimos respiros disso. Se esse fato revela um amadurecimento paulatino do eleitorado e do debate em torno de um projeto de país, hoje nos vemos numa situação crítica: esgota-se, com o fim do petismo romântico, o último projeto que mobilizava o idealismo político. Ainda que tenhamos grupos como o PSOL, que ainda não mostraram a que vieram, vivemos uma época de vazio que precede uma eleição geral. O perigo é a ascensão de tipos como Enéas Carneiro, projeto de fascista. Mas eu, no meu otimismo idiota e juvenil, penso que, como falei abaixo, temos a chance (e a necessidade) de voltar a especular sobre nossa sociedade, a fim de pensarmos para onde queremos ir. Precisamos de novos projetos, novas utopias, novos grupos dispostos a tentar dar rumo às coisas. Temos a oportunidade de voltar a ter movimentos culturais vigorosos, que nos dêem um refresco do império da bunda e do futebol (nem que seja para mobilizá-los de formas mais interessantes). Post post scriptum: esse post foi escrito há alguns dias. Cansei de esperar o UOL funcionar para colocar a imagem, então publico-o hoje. Nesse meio tempo, já foram publicados todo tipo de texto a respeito do caso Daslu, e chamo a atenção para a revista Carta Capital. Depois disso tudo, esse texto, escrito de improviso (como todos aqui publicados) me parece um tanto ingênuo. Sintoma de um momento de viradas repentinas e alta adrenalina política. A Globo, eternamente governista, deu mais um lance na "des-petização" de Lula com a entrevista do Presidente veiculada hoje no Fantástico. Em breve, acordos de alto nível começarão a mostrar a sua cara, pois nesse caso, ninguém da classe política se livra de alguma parcela de corrupção. A balela que foi a entrevista de Delúbio na Globo mostra que a merda jogada por Jefferson está longe de ter se dissipado por inteira. E como fede!



Escrito por Komentarista às 23h20
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Desde que iniciei a blogar, em 2004, vem me interessando os discursos a respeito do potencial democrático que os blogs possuem. Não que blogar seja em essência algo democrático, mas é um canal de comunicação, aberto a todos com acesso à internet, e que pode ser usado  para os fins mais diversos. Tenho tentando exercitar isso com meus blogs, buscando debater idéias e expor visões de mundo que eu acredito serem importantes e pouco explicitadas. Comento isso e dou a dica de algo que saiu no site Primeira Leitura, sobre um livro publicado recentemente nos EUA. Reproduzo parte da matéria abaixo:

A propósito de um novo livro de Hugh Hewitt, um dos mais populares blogueiros dos Estados Unidos, Hugo Estenssoro comenta a revolução anunciada pelo poder informativo dos diários pessoais publicados na internet, por meio dos quais milhões têm acesso grátis a visões muito diferentes das que oferece a mídia convencional. Uma revolução que, apesar do aviltamento da palavra no século 20, ainda significa democratização



Escrito por Komentarista às 01h01
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Medo

Enquanto escrevo essas linhas, o empresário mineiro Marcos Valério depõe na CPI dos correios, e na Folha de S. Paulo fala-se do fim do governo Lula, de uma aliança com o PSDB em nome da governabilidade, do fim do "lulismo". Aqueles grupos desalojado do poder com a eleição de Lula se vêem, muito antes do que imaginavam, como os primeiros na fila para ocuparem a presidência. Déficit nominal zero (do eterno Delfim Neto), redução de gastos públicos, redução de impostos, desestatização. Mas por que isso tudo me dá medo? Bom, nos anos FHC ocorreu um desmonte pouco organizado da estrutura pública (estatal) de pesquisa no país. Eu sobrevivi e consegui avançar na carreira correndo atrás, mas muita gente não teve a mesma sorte, e todo o contexto intelectual e de pesquisa, do qual FHC é fruto, diga-se de passagem, promete, com a saída de Lula e do PT, continuar a desaparecer. Não que eu seja inimigo de um projeto de otimização dos recursos alocados para a pesquisa, ou queira aqui fazer uma defesa coorporativista de pós-graduados. Isso muitos colegas meus faziam, pedindo que o estado pagasse piscina, computador e todo tipo de mamata na universidade. Mas o que se viu naquele projeto tucano é a retirada de financiamentos, sem a proposta de projetos alternativos (afinal, o setor privado prefere comprar pesquisa importada e barata). Se FHC voltar, bom, aí sim eu vou ficar com muito medo, afinal, como fazer pesquisa num estado mínimo tucano e com a nossa elite capitalista escravocrata e colonizada? Afinal, é muito mais legal tomar champagne em algum hotel 5 estrelas da Europa do que montar uma fundação que apóie a pesquisa, por exemplo... Bom, viagens de um desinformado, talvez, mas que dá medo, isso dá.



Escrito por Komentarista às 13h27
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Mensalão

Queria muito escrever mais e comentar a atual situação política do país. Estamos todos reféns de um rato, Roberto Jefferson. É incrível ver que ninguém consegue se contrapor a ele, por estarem todos ali no mesmo nível de podridão. E deve cair a cúpula do PT. Fico atônito, mas empolgado com as possibilidades de melhora da situação política do país, do expurgo positivo que isso pode causar. Como uma febre de gripe. Mas os leitores já devem estar cansados desse tema, diariamente martelado pela mídia... Fica aqui marcada minha angústia.



Escrito por Komentarista às 09h31
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