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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos [komentarista@uol.com.br]



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O Komentarista
 

Momentos difíceis

Eu realmente estou num período bastante difícil da minha vida, como já tenho reclamado por aqui, e pelo jeito isso vai se estender por algum tempo ainda. Quem tem saco de ler esse blog deve me desculpar pelas lamentações, mas eu queria estar menos chato, eu juro! Mas não estou assim à toa. Profissionalmente, é um momento bastante delicado e indefinido. Eu tenho investido toda minha energia num projeto de vida particular, isso já desde 1993. E agora esse projeto  chegou numa fase em que ele pode dar frutos, ou acabar de vez. Uma hora muito decisiva e que me tira toda a energia, pois as perspectivas não são as melhores possíveis. Morro de medo de ter investido 12 anos da minha vida em algo que, apesar de me dar muito prazer, pode não ser o melhor caminho para eu me sustentar e me realizar. Essa questão da realização agora se coloca com muita força. Pois desde que meus pais se separaram em 2003, perdi muito a referência de família que eu tinha, e me senti muito mais sozinho e largado no mundo do que nunca. E meu último namoro, pela forma patética que terminou, me deixou extremamente desconfiado de relacionamentos como algo que me traga realização (e eu tinha essa fantasia também muito forte). Me vejo então muito sozinho, longe das poucas pessoas que confio, e tendo que me virar em tudo, enfrentar todos os meus medos de uma vez só. Por isso às vezes tenho vontade de pular pela janela; não é só o stress da tese (apesar de que só aquilo já me deixaria bem louco).

 Mas coisas legais estão rolando também: fui convidado para ir ao Tocantins por alguns dias, algo inédito e ainda meio nebuloso, mas topei a aventura, e se rolar quero deixar algumas impressões aqui. Isso quer dizer que minha tese atrasa mais uma semana ou um pouco mais, e essa tortura continua por um tempo. Enfim, continuo caminhando...

 



Escrito por Komentarista às 19h08
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Eterno Amor (Jean-Pierre Jeunet)

Quem puder, assista; eu recomendo muito. Por quê? Por que ela acreditou.



Escrito por Komentarista às 21h24
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Sérgio Mallandro e os reality shows

Quem viu as últimas edições do programa de Sérgio Mallandro nos sádados à noite provavelmente se intrigou com sua última tirada no gênero TV trash, a Casa dos Desesperados, “cópia” dos programas Casa dos Artistas no SBT e Big Brother, exibido na Globo. O trash tem sido a marca registrada de seus programas na Gazeta ultimamente. Ou seja, um gênero televisivo tosco, mal editado e pseudo-polêmico. Esse filão é também explorado por João Kleber, entre outros. Atualmente o Pânico na TV consegue atingir, ao lado de Hermes e Renato, um nível interessante de inteligência dentro desse 'gênero'. Algo de inteligente pode ser vislumbrado também mesmo dentro da Casa dos Desesperados: 11 pessoas, incluindo tipos como “garota de programa”, um “desempregado”, um “roqueiro”, um “gay”, um “travesti”, uma anã, um casal de “gordos”, o galã, etc., são aparentemente confinados numa kitchnete, de aparência péssima, por 7 dias, concorrendo ao prêmio de mil reais. A casa é de péssima qualidade, mal cuidada e com aparência de cortiço; a piscina da casa é do tipo infantil, de lona; a comida se resume a arroz, feijão e ovo; a edição de imagens é péssima; e Mallandro aparece do nada e entra em quadro a qualquer hora e a qualquer momento, fazendo do “isolamento” dos participantes uma piada que nem eles mesmos levam a sério. Tudo é tão montado e tão forçado que numa das cenas exibidas no dia 10/03/2004 o travesti, que estaria supostamente brigando com o gordo por causa da gula excessiva desse, se perde na cena e começa a rir, como que não acreditando no ridículo daquilo tudo. O telespectador começa a se perguntar, como ocorre com pessoas que converso sobre o programa: como pode algo tão fake, tão montado, tão tosco, ser exibido na televisão? Como podem essas pessoas, mesmo não tendo muito o que perder em termos de imagem, se humilharem a ponto de aparecer num programa desse tipo, como o “gay” dando chiliques por causa do suposto ex-namorado ou o gordo comendo a comida de todos? E porque o autor desse texto perde seu tempo precioso assistindo e pensando a respeito de tamanha bobagem, ao ponto de escrever sobre o assunto? Como muitos fui pego na onda dos reality shows que assola o Brasil, principalmente desde a Casa dos Artistas em sua primeira edição. Mas penso que somente com Sergio Mallandro esse gênero televisivo atinge sua conclusão lógica, ou seja, expõe o ridículo de pessoas que precisam aparecer a qualquer custo, além de expor a falácia do termo reality show. Pois quais seriam as verdadeiras diferenças entre os três programas (Casa dos Artistas, BBB e Casa dos Desesperados)? Seria só uma questão de que Sergio roteiriza seus participantes, enquanto nos outros estaríamos assistindo emoções e reações “verdadeiras”? O interessante é que na cena a qual o travesti ri no meio de uma cena de uma discussão, expondo a péssima qualidade do programa, ao mesmo tempo ele efetivamente se expõe na sua 'realidade', revelando talvez uma verdade maior do que muitas cenas de Casa ou BBB. Ou seja, ali podemos ter alguma ilusão de que vemos reações espontâneas e verdadeiras, pois em meio ao ridículo ao qual se expôs, a pessoa cai na risada, causando uma ruptura no roteiro e revelando a pessoa por trás dos personagens. Assistindo a Casa dos Artistas, com edição perfeita, seleção musical impecável, o que vemos são pessoas com alguma carreira artística (alguns mais famosos e talentosos que outros) se expondo a uma situação bastante semelhante, e buscando vender ao telespectador um engodo talvez muito próximo àquele vendido por Casa dos Desesperados. Ricardo Macchi tentando a todo custo aparentar inteligência, falando de física quântica ou o nascimento do Universo; Suzana Alves falando de discos voadores, extraterrestres ou yoga, somente para citar os casos mais explícitos na minha opinião. Não seria interessante pensar como Mallandro na verdade faz um programa tão real quanto qualquer outro, já que todos seguem o mesmo padrão, onde pessoas precisam se expor a todo custo? Porque todos os participantes de Casa ou BBB não conseguem disfarçar a crença de que quando saírem serão aclamados como celebridades? Não seria esse sentimento o mesmo que move o travesti ou a anã a se exporem na Gazeta no programa de Mallandro? Como quando a garota de programa da Casa de Mallandro, ao falar de suas razões para estar na casa, revela que seria para “subir seu cachê? Não seria somente uma diferença de quem pode gastar mais com a edição ou a produção? Não seria Helena de BBB, ao expor sua doença às câmeras, uma ameba tão grande quando o “gordo” de Casa dos Desesperados ao encher a boca de farinha e falar cuspindo, como se estivesse comendo? Quem no final é mais escatológico, Bial ou Mallandro? Quem é mais fake? A necessidade de aparecer a qualquer custo, mostrar não somente a bunda mas o cotidiano, o banho, a privada, a embriaguez, percorre todo o espectro dos reality shows no Brasil, revelando a meu ver uma escatologia generalizada na sociedade, que consome momentos íntimos como se fosse “realidade”, e produz personagens (seja Tiazinha, Estela ou a anã da Casa dos Desesperados) que fazem de tudo para aparecerem e se tornarem celebridades, não importa se de primeiro ou de quinto escalão. Não estou aqui condenando ou censurando os reality shows (assumo minha condição de fã e telespectador). Mas penso que pensar a respeito desse fenômeno, independente do que pensamos a respeito, já justifica em muito as tantas horas gastas em assistir a tantos programas de “realidade”...



Escrito por Komentarista às 02h58
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Big Brother

Achei o seguinte texto interessante, da revista Trópico, por considerar algumas conseqüências políticas de reality shows como o Big Brother:

http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2537,1.shl

trecho:

“Big Brother Brasil” tem revelado, dia após dia, uma capacidade estrondosa de repercussão. Seja através dos números de Ibope, seja através do “retorno de mídia”, “BBB 5” provoca acalorados debates, no mundo real ou virtual, incitando manifestações e tomadas de partido, de anônimos à personalidades.

Tal impacto não deveria ser deixado ao acaso. 31 milhões de votantes e mais de 51% de audiência em noite de paredão repercutem, inegavelmente, no imaginário de um país, na estimulação de novas formas de subjetivação e nas conseqüências estéticas e políticas engendradas pelo formato.

Os reality shows, no caso, o “Big Brother”, não devem ser tomados como irrelevante “espetáculo de entretenimento”, consideração que não contribui em nada para uma análise crítica, além de desmobilizá-la. Ao contrário, buscar entender os signos audiovisuais produtores do imaginário deve ser, mais do que nunca, o foco da ação política contemporânea, pois o imaginário não é a irrealidade, algo abstrato, e sim “a câmera de produção da realidade por vir”.

 Na primeira fase desse blog eu escrevia sobre isso com alguma freqüência, e quero republicar um texto que escrevi sobre a Casa dos Desesperados, finado programa de Sérgio Mallandro.



Escrito por Komentarista às 02h56
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Sanidade em tempos de crise

O Ministério da Sanidade Mental adverte: Falta de amigos faz muito mal ao equilíbrio do corpo e da mente. Em compensação, se você se esforçar um pouco e lutar contra suas paranóias; se deixar seus amigos acamparem um tempo na sua casa; se deixá-los mudarem sua rotina e fazerem uma bagunça; se aceitar cozinhar para eles e tudo mais (mesmo que seja coisas engordativas e proibidas da sua casa como bacon e purê de batatas); e se, de barriga cheia, forem ver um filme tipo Scanners, do Cronenberg, você se sentirá tão bem que até a sua companheira insônia pode lhe dar um breve descanso.

Escrito por Komentarista às 02h07
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Lula, o irresponsável

Bom, nunca fui a favor da onda anti-petista que tomou conta de todos os antigos simpatizantes da esquerda no Brasil. Sempre achei um contra-senso ficar fazendo o jogo do PSDB, detonando um governo ainda iniciante(na época), que eles mesmos ajudaram a eleger, e que era por si só um acontecimento importante na história do país. Sempre achei levianas as críticas da mídia, que demonizavam o PT por fazer muitas das coisas que o FHC fazia (por que não criticavam ele da mesma forma?). Jogo político. Mas a eleição do Severino Cavalcanti, com ajuda decisiva do PT anti-Virgílio Guimarães (pois esses colocaram Severino no segundo turno somente por acharem ele um adversário mais fácil de ser derrotado pelo candidato oficial) e as declarações de hoje do presidente me fazem cada vez mais cabreiro. Acho de uma irresponsabilidade tremenda o Lula dizer que acobertou indícios de corrupção do governo anterior em nome da governabilidade. Como disse o comentarista do Jornal da Noite na Band, Lula perdeu uma boa chance de ficar calado. Não que o que ele disse ter feito seja nenhum absurdo: pode ter sido de fato a melhor coisa a fazer naquele momento. Mas abrir a boca sobre isso agora, num momento tão delicado pós-eleições na câmara, foi simplesmente estúpido. Foi levantar a bola pro PSDB cortar, e parece que vão começar processando o Lula, e com razão. Afinal, ninguém segura a língua do presidente não? (olha quem fala! mas tudo bem). Desse jeito a mídia anti-governo não tem nem que se dar ao trabalho de desestabilizá-lo, o próprio presidente já o faz. E em 2006 teremos de novo o PSDB/PFL no poder. Essa sim seria a maior irresponsabilidade.

Escrito por Komentarista às 02h30
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O Aviador (Martin Scorcese)

Tive uma grata surpresa quando, vencendo meus preconceitos anti-blockbusters hollywoodianos, fui assistir a esse filme. Sim, é um grande filme no estilo de Hollywood, melodramático e glorificador do American Way of Life. Mas há um pouco mais do que isso. Eu já gostava do Martin Scorcese desde que vi Gangues de Nova York (não conheço os filmes antigos que fizeram a sua fama), e acho ele um dos poucos nomes que conseguem, trabalhando dentro dos padrões industriais do cinema americano, impor algum tipo de visão pessoal na obra. Claro que um filme complexo e cheio de tramas como esse dá abertura para várias leituras, em diversos níveis. Eu é claro me fixo naqueles pontos que me chamam atenção; como por exemplo, de forma semelhante a Alexandre de Oliver Stone, a história de uma pessoa apaixonada, que luta contra tudo para viver e realizar um sonho, uma obra, um objetivo maior do que ele mesmo. Mas me ater a isso seria perceber apenas aquele viés mais superficial, típico de vários grandes filmes que retratam personalidades marcantes. Há nesse filme alguns debates importantes (o cientista social em mim não consegue se calar) que fizeram da experiência de assistir ao filme mais do que algumas horas de belas imagens. Aliás, belíssimas imagens, na minha opinião. Há um trabalho com as cores do filme que eu não entendi muito bem, mas que achei maravilhoso. Em alguns momentos as cores estão distorcidas, como numa película antiga. Estaria ele tentando evocar a década de 1940? Ou simplesmente buscando algum efeito subjetivo? Sem falar em seqüências grandiosas, como aquela na qual vemos as filmagens do primeiro longa de Howard Hughes, Hells Angels, realizadas no ar. Eu sempre espero o mínimo de um filme como esse e talvez as minhas expectativas baixíssimas ajudem a explicar meu entusiasmo. Bom, há também debates importantes salpicados pela trama. Como por exemplo a respeito da formação da indústria de cinema nos Estados Unidos, das formas como se desenvolveu nessa que foi a "idade de ouro" do cinema americano. Não em termos financeiros, mas em termos de estabelecimento de padrões para os gêneros de filme que assistimos até hoje em dia, padrões estéticos. Outro debate são os próprios valores americanos. Se essa questão, a da formação da América, já era tema dos Gangues..., aqui eu penso que ele consegue um argumento muito mais poderoso. A meu ver o diretor faz uso de uma série de clichês do formato do filme hollywoodiano, como por exemplo falar de grandes personagens, para colocar questões a respeito da erosão desses mesmos valores. Algo que já foi feito antes, em filmes como O povo contra Larry Flint, por exemplo, na questão da liberdade de imprensa. N'O Aviador, Howard Hughes encarna (e Di Caprio está muito bem, preciso admitir, pois não gostava dele muito) o personagem americano arquetípico: o self-made man, que tem uma visão, que aposta na terra de oportunidades que é a América e vence pelo seu esforço. Mas isso tudo é relativizado: Hughes se depara com a política corrupta, com a subserviência do governo a interesses particulares, e consegue manipular todos esses elementos para ainda assim alcançar o que acredita. Sob risco de estar forçando uma interpretação na direção de temas que eu acredito, acho que Scorcese faz um filme atual para os tempos em que vivemos, onde os valores americanos estão colocados à prova. Não quero aqui ficar analisando cena por cena, diálogo por diálogo, a fim de explicitar isso tudo que afirmei, mas creio que por essas razões é um filme que vale a pena ser visto com atenção.



Escrito por Komentarista às 02h19
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Arco-íris

Vi essa cena da minha janela há uns dias e tirei essa foto. Pena que eu não tenha zoom nem saiba manipular a imagem depois, mas dá pra ter uma noção.



Escrito por Komentarista às 01h46
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Frustrado por quê?

Relendo esse último post, que fiz ontem de madrugada, achei um pouco pra baixo demais, meio piti mesmo. Afinal, a gente está sempre em algum tipo de entressafra, a vida é sempre um fluxo, um processo. Não adianta ficar sempre reclamando ou nervoso por causa de companhia, sentimental ou sexual. É claro que precisamos correr atrás de curtir a vida, e isso tenho feito mesmo nos momentos mais brochas e sem libido. Correr atrás da nossa carreira é fundamental, e traz muita felicidade; além de proporcionar experiências e contatos com pessoas que farão parte da sua vida para sempre. Não adianta reclamar dessa experiência de mudar sempre de cidade, afinal quem procurou isso fui eu mesmo. Quando estive super adaptado e enraizado em Campinas, por exemplo, tudo o que eu queria era sair dali. Mesmo dentro de São Paulo, quis experimentar todo tipo de situação, até chegar aonde estou, e já penso em me mudar daqui (para um bairro melhor, claro). O fato de ter experimentado bastante me dá mais clareza hoje das coisas que eu quero, e penso que São Paulo seria um lugar emocionante para me estabelecer. Pois uma das características daqui é o constante movimento, as enormes possibilidades, o contato que a gente tem aqui com tudo que acontece no mundo. Isso para mim sempre foi fundamental. Se eu quisesse simplesmente a estabilidade de uma vida materialmente confortável, teria ficado em Minas até hoje. Andando pelas ruas de São Paulo vejo todo tipo de pessoas em trânsito, do Brasil e do mundo. Gente que conheci lá em Minas onde nasci, gente que fez faculdade comigo e veio tentar a sorte também, gente que puxa papo do nada e fica por perto por causa de afinidade. Se eu por acaso tiver que sair daqui, será com um misto de tristeza e aquele frio na barriga de emoção, a respeito do que poderá acontecer de novo e emocionante. Mas creio que sempre pensarei em retornar para cá. Bom, mas isso tudo são especulações de uma pessoa que adora antecipar os problemas, achando que assim estará mais preparado para enfrentá-los, quando na verdade nem sempre é assim. Não adianta sofrer por antecipação. Muitas das coisas que eu planejei aconteceram, e outras tantas não. Ter um plano e ter metas a seguir é legal na vida, eu acho, mas ter flexibilidade é tão fundamental quanto. E quem disse que eu to procurando casamento agora?? Solidão é uma coisa, é horrível, e sexo e carinho fazem falta sim. Mas namorar, isso já é outra história...

Escrito por Komentarista às 14h57
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Frustração

Reflexões de um período de entressafra sentimental: Como agir em tal situação? Entregar-se aos prazeres da vida e da carne? Dedicar-se integralmente ao trabalho? Mesmo que esse trabalho, no seu desenrolar natural, possa te levar para uma outra cidade, ou outro estado ou país, ainda que temporariamente? Quais são as suas chances de travar algum tipo de contato duradouro ou significativo com alguém? Existe uma contradição entre investir na carreira e investir no amor? Será que a família Doriana existe mesmo? O trabalho enobrece e te dá grana, mas te suga e te brocha para algumas coisas. Por vezes o mundo parece jogar a favor, por vezes contra. Tudo oscila muito, o mundo dá muitas voltas, um dia é da caça e outro é do caçador. Como segurar aquele aperto no coração quando, perto de você, alguém parece encontrar um caminho novo enquanto você está no ponto há tempos e nenhum ônibus, carro ou lotação passou? Os que passaram não pararam nem um pouco, não deu nem para aliviar a solidão... Será que estou no ponto certo? Existe algum guia das linhas para eu não me perder? Se eu, cansado de ficar parado ali no ponto, começar a caminhar sozinho nessa estrada... será que alguém vai me dar carona, ou ficarei vagando até me perder? Não existe o tal guia, não existe nenhuma sinalização. Existe uma estrada árida, esburacada e com poucas paradas decentes. Se eu andar, posso perder o meu ônibus quando ele passar (como saber qual é o seu?). Se eu ficar ali parado no ponto, posso perder a chance de encontrar aquele andarilho que seria minha companhia pro resto da vida, pois eu morreria ali sem nunca ter conseguido carona. Quem disse que existe algum ônibus que pára naquele ponto? As pessoas falam, mas eu não o vi. E se ele passar e eu não o reconhecer? Será que dando sinal ele pára? Será que qualquer passo que eu tome, mesmo que seja não fazer nada, vai ser decisivo em arruinar todas aquelas expectativas que eu tinha, e que alguns conseguem concretizar (mesmo que por um curto período)?

E haja chocolate...



Escrito por Komentarista às 00h17
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Cotidiano

Hoje fiz um frango com chuchu (e não jiló como eu tinha colocado), tomate e batata. Não tinha nada mais na geladeira e eu tava tão lesado estudando e na net que esqueci de comprar coisas pra cozinhar. Fiquei também com preguiça de andar 200 metros até o mercado. Temperei demais o frango, ou sei lá o quê aconteceu, mas me deu uma azia tremenda e vou jogar tudo fora. Vai ver aquela ressaca do sábado fudeu meu estômago de vez. Pelo menos passou o Planeta dos Macacos na Globo, versão nova do Tim Burton, muito legal rever. A cena do macaco Péricles pousando com sua nave nas ruínas de Calima, concretizando uma professia de milhares de anos dos macacos, é demais na minha opinião. Não gosto de ficar falando de cotidiado aqui no blog, por que meu impulso é sempre falar de todos os detalhes possíveis do que fiz e senti, e isso escancara demais a minha pessoa. Mas hoje me deu vontade de falar do fiasco do frango, vai entender!

Escrito por Komentarista às 02h41
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Enquanto isso, na câmara dos deputados...

"Numa democracia parlamentar o político é um ser ambíguo. Se, de um lado, faz parte do processo de transformar interesses em vontade propriamente política, de outro, tem interesses particulares ligados à sua própria identidade, à necessidade de se mostrar eficaz e indispensável junto de seus eleitores, de criar uma imagem na qual eles se identifiquem. Ora, à medida que os partidos se enfraquecem, transformando-se em campo de pouso de políticos migratórios, à medida que as lideranças mediadoras desabam, por incompetência ou arrogância, esses interesses particulares predominam. Não há dúvida de que os 300 votos contra Greenhalgh indicam antes de tudo insatisfação do "baixo clero", cansado de promessas não cumpridas e de se ver fora dos núcleos de decisão."

[extraído do texto O espelho partido da nação, de José Arthur Gianotti. Caderno Mais!, Folha de S.Paulo, domingo 20/02/2005].

De fato a eleição de Severino Cavalcanti é um dos acontecimentos mais relevantes politicamente desde a posse do próprio Lula, e é sintomática de uma dificuldade do sistema político brasileiro em digerir a oposição no poder, as práticas de governar do PT e as mudanças que necessitam ser feitas para que o sistema como um todo se torne mais democrático. De tudo que eu li desde a eleição na Câmara, o texto de Gianotti foi o mais sóbrio e racional, abordando questões que mostram para onde caminhamos como república (ainda de bananas, como se vê). A mídia radicalmente anti-petista (a própria Folha e sites como Primeira Leitura) teimam em usar o episódio para criticar o autoritarismo do PT, alimentando a imagem de incapacidade desse grupo em permanecer no poder. Não li nada em veículos como Carta Capital, geralmente um pouco mais equilibrada, mas Gianotti aponta algo central ao meu ver: há que se prestar atenção, na ausência de um sistema político estruturado, com partidos que efetivamente ajam como tal, para as mesquinharias que decidem o dia-a-dia do parlamento (como motoristas para parlamentares ou aumento de salário), desviando o foco dos desafios maiores e mais importantes (como reformas políticas, investimentos, etc. etc.). O fato do PT estar no poder, penso eu com meus botões, necessariamente bagunça práticas como a indicação do presidente pelo maior partido, oxigenando um sistema e mostrando, como argumenta Gianotti, a crise em que está imerso. Não pelos méritos do PT propriamente (os quais não cabe avaliar aqui), mas pelo fato de finalmente na história do país a oposição, teoricamente de esquerda e ligada a movimentos sociais, ter alcançado o poder de fato. Terremotos políticos como esse deveriam acontecer com mais freqüência, eu acho , como forma de tornar nosso sistema político um pouco mais democrático e menos baseado em conchavos e acordos de cavalheiros.



Escrito por Komentarista às 04h29
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Sintonia

 

É muito chato para mim perceber que perdi a sintonia por alguém que eu admirava. Eu sou movido a diálogos, a relações com as pessoas, e perder isso com alguém é sempre triste. Perder amor, mudar de sentimentos, acho tudo isso normal. Mas perder completamente a capacidade de dialogar! Talvez muito mais radical, pois quando isso ocorre, não existe troca de nenhuma espécie. Seja um grande amigo, um namorado, ou mesmo alguém que eu convivo, eu tento de toda maneira travar diálogos. Muitos dizem que de forma equivocada, de sopetão, violentamente, de forma muito direta. Mas não estou entrando no mérito dos meus métodos, que precisam sim ser lapidados, sou o primeiro a admitir. Estou falando de uma intenção. Já briguei com pessoas que amo, já cortei relações com amigos e namorados, já tive grandes discussões. Mas por mais que eu perca a admiração por alguém, ou fique com ódio de uma pessoa, tento sempre dialogar. Afinal, tudo pode ser dialogado: uma briga pode conter tantos mal entendidos! E eles podem muito bem ser esclarecidos com uma boa conversa franca e honesta. Quando se quer algum tipo de relação baseada no gostar, acho imprescindível esse tipo de diálogo. Mas quando ocorre por exemplo uma grande mágoa, eu não consigo voltar ao normal com essa pessoa até que eu consiga expor essa mágoa, me explicar, pedir explicações, entender o que aconteceu. Eu posso até rever a minha mágoa e voltar a amar e admirar a pessoa, mas nunca sem esse processo fundamental de abrir o jogo. Eu tive um amigo muito querido no passado, a gente se tratava como irmãos, mas eu acumulei muitas mágoas dele, me senti muito machucado com algumas de suas atitudes. Até que finalmente cortei relações unilateralmente. Isso durou anos, e eu recusava qualquer tentativa de aproximação da pessoa. Pois ele vinha tentar falar comigo como se nada tivesse acontecido, como se o passado pudesse ser apagado de uma hora pra outra. Quando eu nutro um sentimento forte por alguém, não consigo apagar as coisas com muita facilidade, e eu valorizo essa pessoa como parte da minha história. Valorizo os momentos de conflito também, pois aprendemos e crescemos muito com eles. Bom, depois de alguns anos ele veio tentar falar comigo, e quando finalmente conseguiu vencer minhas resistências ele se abriu, admitiu uma série de coisas, pediu perdão, conversou abertamente e sem jogos. Choramos juntos, e por um momento achei que a amizade voltaria ao que foi um dia. Não voltou, pois havíamos mudado muito, mas a ponte nunca mais se desfez. Cada um do seu lado, cada um com sua vida e seus ideais, mas sempre quando nos encontramos valorizamos aquele papinho rápido entre pessoas que um dia foram extremamente íntimas. Ele viu meu primeiro beijo, por exemplo; nunca poderia esquecer os momentos que vivi com ele, por mais que eu discorde de tudo que ele faz. Eu lamento como algumas coisas caminham, mas há a hora em que preciso valorizar os meus sentimentos e meus ideais, e fazer aquilo que eu acho certo. Se o outro não acredita, não concorda, ou simplesmente não se importa, ainda assim eu preciso viver minha vida do jeito que eu acho melhor, pois ninguém vai cuidar de mim, pagar minhas contas, me consolar. Em última instância, estamos todos sozinhos no mundo, e o único culpado dos meus erros e acertos sou eu mesmo. Eu quis muito acertar os ponteiros, ser amigo, conversar, mas nunca posso esquecer o passado, falar com você como se não tivesse acontecido nada. Não posso apagar o que senti e as mágoas que carrego, por mais babacas, equivocadas ou infundadas que elas possam ser. Uma amizade dependeria de eu poder trabalhar essas mágoas com você, que você demonstrasse um mínimo de interesse pelo que eu sinto ou senti, o que pelo jeito nunca vai acontecer. Então melhor que seja assim mesmo.

Escrito por Komentarista às 22h58
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Homenagem

Hoje saí, conversei muito, e confirmei várias coisas sobre meu momento atual. Primeiro: estou arisco com tudo, me protegendo da vida, das pessoas, etc. Estou meio sem referências, não acredito em muitas das coisas que guiavam minha vida até o ano passado, e não achei nenhum rumo novo ainda. É uma situação complicada, mas muito interessante. Ou melhor: eu passei a tentar vencer a ansiedade que essa incerteza me traz, encararando essa fase como uma oportunidade de crescer como ser humano. Afinal, nada melhor do que rever nossos conceitos, rever nossa forma de encarar a vida, deixar de lado coisas que travam nossos caminhos e abraçar coisas mais positivas, que te tragam mais felicidade. Outra coisa é uma certa pessoa que mexe muito comigo. Acho ele um ser humano fora de série, que encarna no seu jeito de ser muitas das coisas que eu acho mais lindas e corretas da vida. Fisicamente, apesar de ele não ser nenhuma capa de revista, ele me atrai bastante. Ao mesmo tempo, eu não concordo com quase nada do que ele faz: não acho que ele ande com pessoas legais; não concordo com a forma que ele leva a sua vida; acho que ele joga fora sua saúde à toa; acho que ele não tem tanta ambição quanto deveria ter, para crescer materialmente e profissionalmente; me preocupo com ele sem muito motivo; faço coisas pra chamar a atenção dele, mas na minha percepção eu e ele falamos línguas diferentes um do outro, quase que moramos em planetas diferentes. Me irrita quando ele não me nota; ao mesmo tempo, me acho uma criatura inferior, mesquinha e superficial quando o vejo, quando escuto ele falar sobre a vida. Não me sinto apaixonado, pois não consigo imaginar ele ao meu lado, por tudo isso que falei. Esses sentimentos são para mim como que um dilema filosófico, deliciosamente paradoxal. Nunca senti, até onde eu sei, coisa parecida por alguém, que na verdade quase nem conheço direito. Pode ser tudo mais um fruto da minha mente fantasiosa. Mas o incômodo que sinto quando acho que estou sendo chato perante ele, ou quando acho que ele desaprova da minha conduta (que é quase sempre que temos contato), esse é bem real. Às vezes me sinto uma pessoa fria, calculista e dominadora, exatamente o oposto do que eu gostaria de ser. Como me disse um grande amigo meu "porque você dá tanta importância para o que ele pode ter pensado disso ou aquilo que você fez ou falou?" Não sei... Talvez por essa admiração que tenho por ele (mesmo que seja infundada ou abstrata). Fazer o quê!

Escrito por Komentarista às 05h25
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Ressaca

Hoje tive provavelmente a pior ressaca de todas que eu me lembro: enjôo, dor de cabeça, mal-estar... Péssimo, e eu nem bebi tanto assim! O pior é não ter vomitado e ficar suando frio, sem conseguir dormir. Bom, pelo menos agora posso dizer que tive uma ressaca digna do nome. Enquanto isso, no meu cérebro atordoado, fiquei pensando um monte de coisas, besteiras impublicáveis, outras mais amenas. Fiquei pensando no meu tesão e por que algumas pessoas me confundem com um carente emocional ou algo do tipo. Bom, não nego que curto uma certa intensidade quando me envolvo com alguém. Em outras palavras, curto envolvimento, mesmo que seja por pouco tempo. Uma das coisas que mais acende meu tesão é saber que eu e a outra pessoa estamos interessados um no outro, que há ali uma relação de algum tipo. Isso quando o sexo acontece com alguém que você já conhece, já conversou, etc. Não tenho nada contra sexo por sexo, sem envolvimento. Mas essas situações, pra mim, são restritas ao aspecto físico. Se rola uma transa desse tipo, no impulso, acho ótimo, e o fato de sermos pessoas anônimas aumenta ainda mais o desejo e talvez me ajude com minhas inibições. Mas não sou adepto do chamado sexo com amigos. Aquele sexo mais desinteressado, com uma pessoa que você mantém uma relação superficial. Isso pra mim é broxante, pois não é nem uma transa totalmente física, onde o tesão é o que conta, nem é um envolvimento de fato, pois as duas pessoas são amigas e não querem ter nada mais sério uma com a outra. Claro que se eu conheço alguém, e o lado físico me prende, pode acontecer de surgir daí algum envolvimento. Aliás, uma das pessoas que mais amei eu conheci dessa forma. Mas todas as vezes que tento transar com alguém que já conheço, tenho amizade, mas não tenho um desejo de me envolver mais (ou se sinto que a outra pessoa não está envolvida) é algo ruim, que não flui. Nada contra quem consegue transar com amigos, mas é uma questão de estilo meu. Eu me atraio pela intensidade, e adoro me relacionar, me envolver, fazer parte da vida da pessoa. Mesmo que não vire nada, aquele desejo inicial de me envolver é o que vai acender meu tesão.

Escrito por Komentarista às 14h05
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Men are scum

Escrevo esse post ao mesmo tempo em que converso no MSN. Papos ricos, supreendentes, têm me ajudado a pensar coisas novas sobre eventos passados. Bom, um dos temas que surgiu foi o de como nos deixamos envolver em "frias" amorosas. Eu sempre digo que odeio ser feito de palhaço (e isso em qualquer situação). Pode me chutar, dar um pé na bunda, parar de me amar, discordar de mim, qualquer coisa; contanto que o jogo seja limpo e justo. Como falei antes, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, e nada dura para sempre. Mas isso não significa que precisamos mentir sobre as coisas. E mentir pra mim é me fazer de palhaço. Até aí tudo bem, mas quem se importa? Não há nem lei nem juiz nessas horas para me salvar, estamos sozinhos e ponto. Se eu fui feito de palhaço, são boas as chances de que, em grande parte, eu deixei a situação acontecer, ou procurei, ou fui inocente. Como nunca vou poder mudar o outro, ou saber as razões do cara em ter sido falso, babaca, ou boçal, o que me resta é pensar nas lições que posso tirar do que aconteceu. Por que gostei de alguém que se mostrou tão falso? Por que me deixei levar pela situação? Uma coisa que surgiu nesses papos, pelo menos com relação a mim: há uma tendência a fantasiar o momento, o sentimento, a paixão pela paixão, o que nos bloqueia a visão mais fria do outro. Estamos tão extasiados com o momento, que passamos por cima de todos os inúmeros sinais de fumaça que aparecem pelo caminho. Quando acordamos, estamos no meio do incêndio e sem meios de salvação. Com a maturidade, começamos a ficar escaldados, tentando ver os sinais que nos permitam sair fora de uma situação antes que ela se prove catastrófica (amor não correspondido pode ser uma experiência horrível, ainda mais se há engano e mentira envolvidos). Portanto o que vale nessas horas não é culpar o outro por ter te feito de palhaço: aceite a situação, aceite o erro como seu também. Seja sábio e aprenda as lições que o momento oferece. Uma coisa que penso é que sempre achamos aquilo que procuramos. Se buscamos no outro coisas como uma aparência particular, ou trejeitos que julgamos adequados, ficamos encantados quando achamos alguém que se encaixa na fantasia. Mas nos esquecemos de que aquela pessoa é um pacote complexo e cheio de outros elementos que não estavam óbvios no início, e aí caímos na armadilha. Se buscamos o superficial no outro, perdemos de vista o que realmente importa: caráter, hombridade, e coisas do tipo. São esses tombos que nos ensinam que não adianta, a vida é dura e implacável. Mas as lições desses momentos podem nos levar a caminhos inesperados e maravilhosos.

Escrito por Komentarista às 01h29
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Interesse

Estava eu conversando com meu amigo sobre ficar com outras pessoas, e ele me falou algo que eu achei muito sábio: se conhecemos alguém (beijamos, ficamos) e não temos interesse em continuar conhecendo aquela pessoa (algo nos desagradou, a química não bateu, etc.), a gente sempre dá um jeito de fugir. Se a pessoa não percebe e continua procurando a gente, pensamos sempre que aquela pessoa "encanou" (em dialeto paulista), é chata, etc. Mas quando estamos na situação inversa, e a química bate com uma pessoa que não ficou interessada por nós, achamos a pessoa chata por que não nos deu bola... Difícil! Disso eu concluo: ninguém está nunca certo nem errado nesse tipo de situação. O que rege esse tipo de relação é o interesse. Quando o interesse é mútuo, o fato de procurarmos a pessoa será sempre bem vista, pois ela está interessada em nós também. E vice versa: se a pessoa nos procura, achamos ótimo pois ficamos interessados em conhece-la. Quando não rola interesse, é claro que qualquer movimento da outra pessoa em se aproximar é visto como inadequado. Da mesma forma, reclamamos da frieza das pessoas que não nos dão bola, quando desejamos alguém que não nos deseja. O único a se fazer, me parece, é tentar relaxar e parar de buscar explicações mirabolantes para coisas que desandam. Não adianta por a culpa no mundo, na sociedade, no gueto gay, na ignorância alheia. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém, nem a gostar de ninguém. Quando um não quer, dois não brigam, não tem jeito, é a natureza.

Escrito por Komentarista às 10h20
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Blog arte

Recebi um email de alguém desconhecido agora mesmo, com a seguinte mensagem:

"CULTURA DA IMANENCIA |  NOMADES SEXUAIS |  SIGNOS
CUTANEOS | MUSCULOS SEM FUNÇAO | ANARCO FODEDORES |
MIX REALITIES | ESTETICA DO LABIRINTO | POS-GAY

visite:
http://www.4pixel4.com"

Bom, como sou hiper curioso, fui visitar. Parece que é um blog experimental, feito por algum pesquisador com certeza. Super interessante, com muito conteúdo visual e coisas escritas legais também. Me chamou a atenção a crítica que ele faz da cultura consumista gay e da busca do que ele chama de "pós-gay", coisa que eu já fiz por escrito e em papos de boteco pelo Brasil afora também. Não visitei o site inteiro, é bem extenso, mas vale a pena conferir, pra quem gosta de coisas diferentes.



Escrito por Komentarista às 21h55
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Da decepção

Num primeiro momento, eu pensei "eu sabia que ia dar nisso". Estava aparentemente bem, mas ao mesmo tempo não conseguia reconhecer as minhas usuais reações. Num segundo momento, senti tudo desabando. Não como numa depressão (pois não me parecia isso), mas percebi muitas de minhas fantasias caindo por terra. Coisas que me excitavam perdiam o sentido. Coisas que faziam meu coração bater mais rápido me pareciam insossas. Palavras e pensamentos não obedeciam à ordem a qual eu havia me acostumado nos últimos tempos. Me vi, num sentido bem amplo da palavra, 'brocha' em diversos sentidos. As diversões e piadas que antigamente me divertiam, não me pareciam mais tão atraentes. Como se meu corpo reagisse, quase que fisiologicamente, a uma perda de referenciais muito maior do que pude avaliar de início. Me vi sem muitas respostas, que antes pareciam tão claras. Pensei e escrevi, "o sonho acabou". Não um sonho particular, mas um grande sonho que me impulsionara havia anos; nada ligado somente a uma ou outra pessoa, mas um elo de sentido que unia acontecimentos e buscas que estavam definindo as minhas escolhas de vida. Percebi então que a decepção, havendo corroído essas crenças, começava então a ME corroer. A decepção maior foi comigo mesmo: por que não acreditei em meus instintos, que depois provaram-se tantas vezes corretos? Por que me envolvi em tantas situações das quais eu não queria fazer parte? Por conta talvez de ideais a respeito dos quais nem você mesmo tinha clareza? Como uma grande fantasia pode empurrar você a essas situações destrutivas? Por que você não consegue filtrar pessoas e situações esdrúxulas antes que elas entrem na sua vida? Bom, mas depois do incêndio, passada a chuva, sobre os troncos ainda mornos e carbonizados das árvores e arbustos podem ser vistos brotos novos, tenros, verdes. A destruição abre caminho para novas construções. Ao cair por terra seu castelo de areia, pode-se perceber que talvez fosse melhor ter investido numa construção mais sólida. Não que a fantasia seja totalmente inútil; pelo contrário, a sua força poderosa pode levá-lo a mover montanhas. Mas há que se ter em mente como usar esse potencial, com os pés no chão. E essa busca pode ser um novo ideal que se esboça. Não uma nova fantasia que tome o lugar da antiga, mas um novo projeto pleno de esperança e sobriedade. De preferência, cheio de prazer durante todo o processo.



Escrito por Komentarista às 19h30
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Fazendo tese

Estava eu na padaria (pra variar), tentando fugir um pouco das baladas de carnaval (não consegui: acabei saindo depois), quando reencontrei um velho conhecido meu, dos tempos de graduação. Ele é professor universitário, doutor, e todo malhadão; super baladeiro, estava acompanhado de um carinha que ele conheceu pela internet. Foi reconfortante poder falar do meu momento atual, o qual ele já passou. Afinal, já cansei de escutar de amigos e namorados que "não faço nada", "fico em casa o dia inteiro à toa", ou que "não tenho problemas". Afinal, como explicar para pessoas que não querem entender? Eu vi nele um vencedor: fez a tese, vive a vida, curte tudo que tem vontade, conseguiu emprego na sua área (coisa rara hoje em dia). Falei que não conseguia pensar em nada no momento, e ele entendeu exatamente o porquê, pois com ele foi igual. Me senti menos sozinho, apesar de ter amigos maravilhosos (anjos). Mas somente alguém com uma carreira parecida com a sua vivencia algumas das coisas que você vivencia, e entende num outro nível. Entende a necessidade de sair e beber (mesmo sem gostar tanto); as insônias; as depressões; a solidão; a falta de libido; o stress com o futuro incerto. Afinal, quem entra para uma carreira acadêmica hoje em dia sabe que tem boas chances de ficar muito tempo desempregado. Ou pelo menos deveria saber. Mas eu entrei com toda a esperança de conseguir algo relativamente bem pago na minha área. Afinal, todos queremos ganhar dinheiro numa profissão que nos dê prazer, acredito. E isso eu tenho no momento, mas vivo essa enorme incerteza. Eu caminhei muito até chegar aqui, e perdi muito no caminho. Da mesma forma ganhei muito. Fantasiei muito, e me sinto menos propenso a fantasias. Decidi namorar mais minha carreira do que outras pessoas, afinal é dura a realidade e o príncipe nunca vem no cavalo branco, e muitas vezes ele te enrola até sair cavalgando com outro(s). Mas enfim, posso apenas estar passando um mal-estar temporário por causa da tese... Nem sei direito o que era pra ser esse post. Misturei um monte de coisas, mas às vezes são palavras que me rondam a mente, e nunca conseguem sair; quando eu abro uma comporta, saem todas acavaladas, desordenadas, um tanto sem nexo; ou obedecendo a algum nexo que eu não pretendia antes. Arriscado isso de escrever sem pensar muito...

Escrito por Komentarista às 00h53
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Carnaval

Esse ano enfiei bastante o pé na jaca, pelo menos pelos meus padrões... Podem rir, mas depois de dois dias pulando carnaval pela cidade de São Paulo, comecei a ficar de gripe, de cansaço! Eu fico besta com as pessoas que vão pra praia ou viajam, acampam, passam dias e noites bebendo e dormindo pouco, e ainda voltam com a pele ótima. Acho que hoje em dia posso tentar me preservar mais sem parecer simplesmente travado ou fresco: meu corpo não dá conta mesmo gente! Eu acho que também nunca vou entender esse monte de gente desfilando, cheio de penas e panos (ou pelada mesmo), cantando aquelas músicas intermináveis e com letras impossíveis. Enfim, cada povo tem sua tradição, essa que passa na TV é meio esquisita mesmo. Mas a liberação de instintos e a quebra dos tabus, pelo menos temporariamente, é uma tradição fascinante, e me sinto feliz por ter me aberto mais a isso ultimamente. Alguma coisa dessa doidera de carnaval tem que ser legal! Lembro-me dos meus anos de adolescente quando eu ficava assistindo, como tanta gente, àqueles bailes na televisão, meus hormônios a mil por hora. Eu nem sabia direito o que eu queria ver ali (mulher pelada não era mesmo), mas olhava e ficava morrendo de tesão. Hoje entendo melhor: é esse tesão difuso e incontido que contagia todo mundo no carnaval. Essa liberalidade, sem muitas fronteiras (pelo menos aparentemente). Mas ainda tenho muito que aprender com essa história de carnaval; fica pros anos seguintes.

Escrito por Komentarista às 04h35
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Doces dilemas

Escrevo isso no calor dos acontecimentos, mas assim tem sido quase sempre aqui, e pode-se dizer que o "legal" dos textos publicados nesse blog é essa sua qualidade pouco pensada ou premeditada. Bom, vez ou outra a vida nos prega uma peça, daquelas de deixar sem fôlego e com a cabeça rodando. Vez ou outra temos a chance de rever o passado, reencontrar fantasias e antigos desejos, e temos a chance de viver essas coisas num momento diferente, com outra cabeça, com outros desejos. Quase sempre esses momentos são decisivos, pois ali temos a chance de repensar, de perceber as "fichas que caíram", de ver o quanto todas as coisas que vivemos mudaram nossa forma de reagir e de pensar. Vez ou outra alguém lá em cima fica de saco cheio das nossas reclamações e nos manda tudo aquilo que pedimos (mesmo que num tipo de caricatura), e fica observando e rindo das nossas reações estapafúrdias, confusas. Uso o termo caricatura aqui por um motivo: na caricatura são acentuados alguns elementos da coisa ou pessoa que queremos representar, causando um efeito crítico ou cômico. Pois agora há pouco vivi uma caricatura de mim mesmo, e fiquei um pouco perdido. Fiquei pensando no que realmente quero pra mim, nas coisas que falo por aí, nas coisas que desejo pra mim. Estar ao lado de outra pessoa é realmente algo mágico, que demanda coisas que eu ainda não estou perto de entender... E tomar conciência dessa minha ignorância (assim eu espero) me dará a calma que preciso para aos poucos ir aprendendo e "vivendo" as coisas com mais prazer. Quem sabe não venço minha insuportável ansiedade?

Escrito por Komentarista às 22h05
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Uma perfeita do Caco Galhardo (na Folha de S. Paulo de hoje)

(Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência)



Escrito por Komentarista às 12h58
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Reduto do Comodoro

Só uma notinha para deixar registrado a sessão dupla de filmes que acontece todo mês no Cinesesc aqui em São Paulo, com filmes apresentados pelo cineasta Carlos Reichenbach. Ele tem um blog a respeito dos filmes e de cinema em geral (doiscorregos.blog.uol.com.br). Eu recomendo como um dos melhores programas da cidade. Eu comecei a ir pelo aspecto trash dos filmes de terror, mas percebi que não tinha nada de trash nos filmes ali apresentados. Filmes de terror maravilhosos, filmes underground ou de arte mesmo, mas sempre puxando para uma estética iconoclasta, cheia de sangue, sexo e vísceras. Não tem muita coisa mais legal para se assistir por aí. O difícil é assitir a dois filmes, geralmente pesados, das 21:30 até as 01:00 da manhã, mas vale a pena o esforço; afinal a grande maioria desses filmes nunca vai passar em cinema de outra forma, e muitas dessas coisas a gente nem sabe que existe, é como uma aula mensal de cultura cinematográfica. Mês que vem promete: Filmes de Buñuel e de Cronenberg (sou absolutamente fã de Cronenberg, quero ter todos os filmes em DVD assim que possível).

Escrito por Komentarista às 02h01
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