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Papo de padaria
Estava lá eu conversando, de novo, com meu amigo sobre futilidades e intimidades, saboreando a minha já religiosa média*, quando chegamos naquele papo de sempre, relacionamentos. Ele me disse que estava lendo uma revista, que falava do "valor de mercado" que nós usamos como referência nas paqueras. Funcionaria mais ou menos assim: todo mundo se auto-avalia para medir seu possível valor de mercado (ou o quanto as outras pessoas te desejam). Ao paquerar alguém, você vai ao mesmo tempo avaliar o valor de mercado do seu alvo de paquera, buscando perceber se aquela pessoa se aproxima do seu valor ou não. Diz a revista que quando achamos que o outro não condiz com nosso valor de mercado (seja em beleza física ou outro atributo) não damos muita bola, fazendo o típico "cu doce" ou "carão" enquanto procuramos alguém mais valorizado. Ao mesmo tempo, poucos encaram uma paquera avaliada em valor muito mais alto que o nosso. A gente ficou conversando sobre isso, e sobre a tendência de algumas pessoas de se sub-avaliar, entre outras coisas. Eu me pûs a pensar sobre isso, imaginando como isso funcionaria na minha vida. Será que dava pra usar essa teoria para entender por que algumas pessoas, por mais que me paquerassem e beijassem, sumissem logo depois? Será que alguma coisa que fiz ou falei estragou minha imagem inicial? Será que coisas como transar de primeira, ou não transar de primeira, afetavam essa avaliação que o outro faz de você? Seria melhor fazer charme de deixar o outro "fazer a corte", se você não quer simplesmente trepar, ou seria melhor ser honesto, trepar se for o caso, e deixar que o outro reaja da forma que quiser? Será que se você não trepar de primeira, o cara já vai desanimar por que vai te achar muito cu doce e caretão, e vai procurar o próximo? O André Fischer em seu blog comentou sobre isso hoje (ver www.mixbrasil.com.br), e segundo ele honestidade nem sempre compensa (o foda é ele se basear em seriados de TV, mas enfim, vale pelo comentário). Ando pensando sobre isso devido a mudanças que ando sentindo no meu "modus operandi" nas paqueras, e na forma como eu acho legal que as coisas aconteçam. Afinal, será que numa cidade como São Paulo, onde o excesso de oferta de sexo leva as pessoas a te dispensarem logo depois do primeiro beijo ou mesmo durante o beijo, seria possível as pessoas terem um pouco de paciência com os outros? Será que se vejo algo que não curto no outro, eu teria paciência de esperar para ver, conversar a respeito, antes de sair procurando minha próxima cara-metade na mais nova casa noturna? Será que esse excesso de rotatividade impossibilita algumas coisas? Ou a gente se adapta ao esquema, ou se fode? Pode parecer besteira ficar pensando isso, mas essas coisas ainda me afetam.
*digressão: aqui em São Paulo o meu café com leite mineiro vira média, que indica o tamanho da xícara e, dependendo de quem te serve, já indica o fato de ser metade café, metade leite. Em Campinas, por exemplo, uma média sempre tem leite, e não se pergunta, como em Sampa, "a média é com leite?". Pequenas observações que eu coleciono por ser um antropólogo viciado em padarias. Qualquer dia faço outra digressão sobre o acompanhamento essencial do café com leite: o pão na chapa.
Escrito por Komentarista às 16h42
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O rapaz na biblioteca
"O direito de natureza, a que os autores geralmente chamam jus naturale, é a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza, ou seja, de sua vida; e conseqüentemente..."
Levantou os olhos, pausando a leitura, e olhou à sua volta. Estantes e mais estantes de livros. Uma visão muito familiar, pois ele havia nascido e crescido estando sempre rodeado por aqueles amontoados de páginas. Ao estar finalmente lendo de fato um daqueles volumes (mais especificamente o Leviatã de Hobbes), ele sentia-se finalmente tendo acesso a um dos mistérios que o rodearam a vida inteira. Lembrou-se das tantas vezes que, copiando seus pais, abria os livros e tentava decifrar aquelas palavras que pareciam não dizer nada de nada. Por que falavam tanto? O que havia tanto a ser escrito? Nessa sua primeira incursão no livro, seu coração batia emocionado e ao mesmo tempo cheio de dúvidas: o que é lei natural? O estado é de natureza? Enfim, coisas que sua mente não poderia compreender naquela idade, pois acabara de fazer 17 anos. Continuou a leitura:
"A causa da sensação é o corpo exterior, ou objeto, que pressiona o órgão próprio de cada sentido, ou de forma mediata..."
Não estava entendendo nada. Isso era curso de política? Mas de onde veio esse papo de sensações, de pressão sobre os órgãos? O que isso tinha a ver? Ele ficou impaciente, tinha que ler aquele texto para a aula de amanhã, mas tudo que ele conseguia pensar era na ereção que vagarosamente se formava dentro de sua cueca. Porra, justo aqui, justo agora, ele pensava. Como é que eu consigo ficar com tesão dentro dessa biblioteca? Olhou à sua volta: estava bastante cheia. Muitos dormiam sobre as mesas ou sobre seus textos, alguns olhavam para a janela com o olhar perdido e vazio. Seu senso de dever não o deixava simplesmente fechar o livro e sair dali.
Escutava ao longe as vozes dos outros alunos, muitos indo beber cerveja na cantina do departamento. Não passava nunca pela sua cabeça juntar-se a eles: eu teria que conversar, falar do que? Beber cerveja? Jamais. Deixar de ler o texto e chegar na aula de amanhã sem saber do que se tratava lhe causava uma ansiedade enorme. Talvez por isso seu pau ficava cada vez mais duro. Ou seriam os rapazes, seus colegas, suas pernas grossas, suas mãos, seus cabelos, seus braços...
Tentou recomeçar a leitura, mas em vão. Pensou rápido, e foi ao banheiro da biblioteca. Pequeno, os alunos entrando e saindo. Discretamente ele entrou numa cabine reservada e trancou a porta. Olhou com avidez os rabiscos na parede: "quero chupar seu pau, deixe recado marcando"; "quem já comeu o cu da Ju, Sociais 92?"; cada vez ficava mais excitado, como se fosse gozar sem ao menos tocar em seu pênis. Colocou o livro de lado e começou a masturbar-se. Morrendo de medo de alguém escutar ou até mesmo desconfiar do que ele poderia estar fazendo ali. Tentava não emitir nenhum som. Logo seu tesão explodiu numa esporrada farta, cheia de esperma grosso, que escorria pela cabeça do seu pau. O tesão daqueles minutos era indescritível. Aliviado, resignou-se a sentar de novo e ler o texto até o final.
Escrito por Komentarista às 18h22
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Ciência e homossexualidade
A seguinte notícia foi publicada hoje no site www.mixbrasil.com.br, e eu achei interessante postar aqui por causa da sua importância, e da forte relação com o que falei no post anterior sobre fascismo:
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":: Pesquisadores norte-americanos identificam DNA “gay” |
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No primeiro estudo a combinar o genoma humano com os determinantes genéticos da orientação sexual masculina, pesquisadores da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, identificaram várias áreas que parecem influenciar se um homem é heterossexual ou gay.
Brian Mustanski, do Instituto Nacional de Saúde, encontrou traços de DNA que parecem estar relacionados com a orientação sexual em três cromossomos diferentes no núcleo de células do homem.
“Não há um gene ‘gay’”, disse Mustanski, psicólogo do Departamento de Psiquiatria da universidade e autor do estudo. “A orientação sexual é uma particularidade complexa, então é nada surpreendente que encontremos várias regiões de DNA envolvidas em sua manifestação”.
“Nossa aposta é que genes múltiplos, potencialmente interagindo com influências do meio, explicam as diferenças na orientação sexual”. A pesquisa será publicada em março na edição do jornal de biomedicina Human Genetics.
Os genomas de 456 homens de 146 famílias com dois ou mais irmãos gays foram analisados. Enquanto estudos anteriores focaram apenas no cromossomo X, um dos dois cromossomos que determinam o sexo, as pesquisas atuais examinaram todos os 22 pares de cromossomos não relacionados ao sexo, além do cromossomo X. O cromossomo Y não foi analisado porque acredita-se que ele não contém muitos genes.
Traços idênticos de DNA em três cromossomos – cromossomos 7, 8 e 10 – foram encontrados em cerca de 60% de irmãos gays. A região no cromossomo 10 foi relacionada com a orientação sexual apenas se ele foi herdado da mãe." |
Eu sei que notícias sobre o "gene gay" aparecem quase sempre, e diferentes grupos apresentam todo tipo de pesquisa buscando determinar algum componente genético para a "opção sexual". Essa questão é complexa e não cabe ser debatida aqui, mas queria só deixar registrado. Uma hora essa determinação genética vai acabar por ser definida, e aí teremos uma nova luta pela frente. Os parâmetros dessa luta serão totalmente diferentes do que os movimentos homossexuais enfrentaram até aqui, e muito há que ser pensado e debatido até lá.
PS: (Como é bom mudar de assunto e não falar de homem e paixão o tempo todo né, tomara que essa fase tranquila dure muito).
Escrito por Komentarista às 17h11
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"Arbeit macht frei"
Traduzindo para o português, fica algo como "O trabalho liberta". Foi a primeira coisa que vi quando cheguei em Dachau, um campo de concentração. Mais uma das experiências que tive, naquele ano entre julho de 1993 e julho de 1994, que eu não estava emocionalmente preparado para absorver completamente. Me lembro de pouca coisa infelizmente. Entre elas essa inscrição, logo acima do portão de entrada, anunciando a falácia de que os internos seriam reeducados pelo trabalho; que aquilo não era um açougue ou um lugar de abate, mas sim uma chance de fazer parte do Reich. Outra lembrança forte é a de um trecho de filme que vimos, daqueles que mostravam as imagens da época, provavelmente feitas pelos libertadores soviéticos. Filmes mudos e em preto em branco, mostrando corpos, pessoas esqueléticas de fome e frio, e a rotina do campo. Depois desse dia, quando vi A Lista de Schindler, pensei o quanto Spielberg deve ter se inspirado naqueles filmes para fazer algumas das cenas mais chocantes. O lugar, sob a neve, parecia pacato, tranquilo; mas como disse, eu não tinha aos 18 anos nenhuma maturidade para entender a poderosa experiência que eu estava tendo o privilégio de ter. Hoje, quando se relembram os 60 anos da libertação dos prisioneiros de Auschwitz, me veio essa falha lembrança. O engraçado é que ainda hoje não se falam dos prisioneiros forçados a usar o triângulo rosa, apesar de já se mencionarem os ciganos e comunistas ao lado dos judeus. O símbolo, hoje apropriado pelo movimento homossexual internacionalmente, marcou milhares dos milhões assassinados naqueles dias. Engraçado pensar que ainda hoje morre-se por ser homossexual, mas de forma lenta e gradual, escondida. São mortos por tiros de michês e traficantes, héteros enrustidos após um encontro casual, linchados, execrados, suicidados de tristeza e frustração por não conseguirem adequar-se. Difícil pensar nas crianças e em como vão crescer, pois nascem ainda hoje num mundo onde precisam começar suas experiências sexuais de forma escondida, ou até mesmo violenta, abusados por alguém por serem "delicados" ou "efeminados". Pior para aqueles que, continuando delicados ao ficarem mais velhos, são execrados por bichas mais finas, bofes, gays-não-efeminados, gays-que-juram-que-não-são-efeminados, e todo tipo de escória que infelizmente perambula por aí, pensando que a única forma de justificar a sua existência é tornar ridícula e menor a existência do outro, diferente. Os campos de concentração são somente a materialização desse desejo, foi a experiência radical de tornar real um desejo latente naquela cultura particular. Se não nos damos conta dessas expressões de fascismo que nos contaminam cotidianamente, corremos o risco de sermos apoiadores de coisas semelhantes no futuro.
Escrito por Komentarista às 13h19
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O mundo hoje

Quando era mais jovem, achava que seria o máximo ter vivido nos anos 1960. As revoluções na estética, nos costumes, a liberação sexual e cultural, a politização, as revoluções como as de Maio de 1968, a renovação geral (filosófica, cultural, econômica, tecnológica, etc.) que nos afeta a todos nós até hoje. Eu sempre fui fascinado pelos movimentos por direitos de gays, negros e feministas, pelos movimentos de questionamento da ditadura no Brasil, a vontade de construir um novo mundo. Essa vontade (e volto aqui a um tema caro a esse blog), essa paixão de viver e de criar um mundo e não somente aceitar as coisas tal qual elas estão colocadas, me movia muito nas minhas escolhas. Fiz Ciências Sociais, era aprendiz de hippie, andava com barba e sandálias, adorava cristais e maconha, escutava os tropicalistas e buscava ali esse sentimento de novo, de revolução. Quando assisti ao documentário Doces Bárbaros (recomendo muitíssimo, esteve nos cinemas em São Paulo), percebi o quanto essa coisa do hippie era uma renovação na época, mas hoje em dia era apenas uma sombra daquele movimento. Hoje não tem nada de revolucionário no sexo livre, em fumar maconha ou em andar despojadamente. O mundo mudou e as questões que nos preocupam são outras. Querendo ou não, vivemos hoje em dia momentos tão revolucionários quanto aqueles dos anos 60: delinea-se um novo mundo frente nossos olhos, o futuro está sendo construído agora. As mudanças geopolíticas que estão acontecendo atualmente serão decisivas para muitas gerações futuras. Mas o futuro que está sendo construído hoje é sombrio, antiquado, reacionário, fascista. Se por um lado elegeu-se o Lula, um sonho de mudança morreu e as elites tripudiam o quanto podem esse sonho criando um exército de neo-anti-petistas-desiludidos. Esses com certeza elegerão um governo extremamente reacionário em 2006 (se fosse o José Serra, seria ótimo, mas duvido). No mundo tivemos o cataclisma do 11 de setembro de 2001, e depois desse dia o mundo não seria o mesmo. Temos o fim de um sonho revolucionário: a democracia norte-americana, um ideal de uma sociedade onde a oportunidade era igual para todos, onde o mérito contava mais do que sua família ou amigos, onde cada um poderia viver seu sonho e ser livre. As elites daquele país estão a construir um novo estado totalitário, e isso será a maior tragédia em séculos de história mundial recente. Espero não estar mais vivo quando o processo de decadência da democracia nos EUA levar a um estado completamente autoritário e expansionista, que levará a guerra a todos os cantos do mundo. E com o fim dessa democracia, não temos mais nenhum novo ideal político progressista, pois os comunismos falharam nessa tarefa de ser um contraponto ao ocidente democrático. Enfim, pensei essas coisas ao ler o quadrinho acima, sobre a crescente aceitação da tortura nos EUA. Depois dos casos de abuso por parte das tropas norte-americanas, coisas antes impensáveis hoje são temas de quadrinhos. Dias muito tristes esses que vivemos. Eu teria todo tipo de coisa pessoal para escrever aqui, mas no fundo não quero; só queria dizer que, no plano pessoal, vivo uma fase muito feliz, um pouco mais maduro, com a promessa de uma nova fase. Minha vida está completamente indefinida no momento, e nunca isso foi tão interessante e promissor. Fonte de ansiedade sim, mas com a idade você começa a ver que a incerteza faz parte da vida, e que isso não é o fim do mundo, coisas boas podem ser construídas se plantadas e cultivadas com carinho.
Escrito por Komentarista às 04h28
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Let the sunshine in
Here Comes The Sun
(George Harrison)
Here comes the sun, here comes the sun And I say it's all right Little darlin' it's been a long cold lonely winter Little darlin' it feels like years since it's been here Here comes the sun, here comes the sun And I say it's all right Little darlin' the smiles returning to their faces Little darlin' it seems like years since it's been here Here comes the sun, here comes the sun And I say it's all right Sun, sun, sun, here it comes Sun, sun, sun, here it comes Sun, sun, sun, here it comes Sun, sun, sun, here it comes Sun, sun, sun, here it comes Little darlin' I feel the ice is slowly meltin' Little darlin' it seems like years since it's been clear Here come the sun, here comes the sun And I say it's all right Here come the sun, here comes the sun It's all right, it's all right

Escrito por Komentarista às 01h33
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Definitivamente eu falo demais
Aconteceu uma coisa muito chata na noite de quinta feira, que me pôs a pensar sobre a forma com a qual me relaciono com as pessoas. Eu nem posso colocar a culpa no álcool, pois sei que gafes como a que dei nesse dia acontecem por causa do meu jeito mesmo. Minha mania de cutucar as feridas alheias; de tentar entender dilemas que as pessoas, por suas próprias razões, preferiram enterrar em algum lugar das suas mentes; de tentar fazer piadas picantes que, quando saem da minha boca, ao invés de riso causam (algumas vezes) tremendo mal-estar. Já tendo passado por isso algumas vezes, vezes demais eu diria, tenho um certo medo de ser totalmente espontâneo em situações sociais. Algum leitor provavelmente está pensando: "NUNCA se deve ser totalmente espontâneo em situações sociais, seu louco!". Eu me recuso a aceitar isso, mas talvez seja assim mesmo. Quando acho pessoas que topam meus arroubos e não ficam ofendidos ou tristes, quase sempre me apaixono, viro amigo íntimo, etc. Mas são pouquíssimas, feliz ou infelizmente. Tenho certo complexo de culpa por pensar que esse meu jeito por vezes afasta algumas pessoas às quais eu quero somente o bem, por mais que isso ou aquilo que eu tenha falado ofendeu. Me sinto péssimo pois a última coisa que pretendo, quando falo coisas assim, é ofender ou fazer mal. Quando eu quero atacar a pessoa, sei atacar, e bem diretamente, e eu gosto que a pessoa saiba muito bem que está sendo atacada, e por quê. Mas isso ocorre em ocasiões raríssimas mesmo, pois me fazem muito mal. Algumas pessoas elogiam meu jeito dizendo "ele é super sincero, autêntico", ou "gosto do jeito despachado (ou qualquer outro adjetivo relacionado) dele". Bom, tudo bem achar legal. E já tendo alguma maturidade chegando aos 30, eu sei que nunca vou agradar a todos. Algumas pessoas vão se ofender mesmo com coisas que falamos, mesmo que a intenção seja das melhores, e isso ocorre na vida de todo mundo. Incompreensões, mal-entendidos, são freqüentes e fazem parte da vida. Outra saída retórica que eu às vezes tento usar para me sentir melhor é a de que ser autêntico, ou falar o que se pensa, ou coisa que o valha, é parte de mim, e quem se ofende é por que não tem a ver comigo, etc. etc. Sim, isso alivia um pouco a minha tristeza quando eu dou alguma gafe enorme, como foi a da quinta feira. Mas não deixa de ser uma saída retórica, como todas. No final das contas, como lidar com o fato de que pessoas se machucaram, foram ofendidas? Como retirar a dor que suas palavras causaram? Não tem jeito. E quando isso ocorre com uma freqüencia aborrecedora, a dor que isso causa em mim (de ser assim e ter dificuldade de controlar) começa a querer atacar minha auto-estima, infelizmente. Bom, não sei se isso é um mea culpa, ou um desabafo somente, mas tem a ver com situações que passei e coisas que ouvi a meu respeito em variadas ocasiões. E cada vez mais tenho menos saco pra passar por elas! Será que a gente nunca muda, lá no fundo? Talvez eu somente queira dizer isso: dói em mim também. E não digo isso pra me fazer de vítima e tentar angariar a simpatia do leitor (espero que não seja isso!), mas por que aqui eu só posso falar de mim mesmo e de meus sentimentos.
Escrito por Komentarista às 20h10
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Fernando Gonsales

Escrito por Komentarista às 13h42
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Meta meta post
Eu tava relendo meu último post, feito ontem num momento não muito sóbrio, e por coincidência tava hoje relendo o blog do D*b* (dbblog.blogspot.com), nem sei por que. Hábitos que eu peguei nos últimos tempos e que ficam comigo. Mas li o post dele feito no dia 6 de junho de 2004, e achei super parecido. O pior é que o post dele já é um comentário sobre o post de um outro blog, que fala exatamente da mesma coisa (ou pelo menos de algo bem próximo). Achei engraçado e esquisito... Será que a gente nunca sai dessa? O post é sobre um post, que por sua vez foi inspirado em outro post... e por aí vai. Círculos, espirais, ciclos... Engraçado, nem sei mais o que comentar. Ainda bem que hoje não acordei emocional!
Escrito por Komentarista às 18h45
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Batendo de novo nessa mesma tecla...
Nem sei se estou ainda melancólico, mas estava voltando pra casa hoje, e escutei o som de um carro tocando essa música:
"Tive razão/ Posso falar/ Não foi legal, não pegou bem/ Que vontade de chorar dói [...]"
(Seu Jorge)
Me lembrou um caminhão de coisas, algumas legais e outras nem tanto. Tem horas que eu queria tanto, tanto estar errado... Mas em algumas, infelizmente, não consigo ver como poderia estar. Uma pena. Fiquei ainda pensando, de novo naquele tema de sempre: quando recomeçamos a nos apaixonar por algo, por alguém? Quando ocorre esse momento? Será que algumas pessoas conseguem sentir esse instante? Algumas sentem sempre, ou simplesmente não precisam passar por isso? O que leva algumas pessoas a se jogarem apaixonadas em seu trabalho, seus ideais, ou a arderem de paixão por alguma pessoa, enquanto outras levam a vida com aquele "amor irônico" (do post abaixo sobre o filme Alexandre)? Eu queria tanto conseguir passar de um momento ao outro com menos dor! E tanta coisa vai perdendo sentido pelo caminho. Engraçado como outras ganham todo o sentido, sentido que não tinham antes. Então se por um lado há perdas nisso tudo, por outro há ganhos incríveis, digo nesse processo cíclico de paixões e desafeto. Para citar outra música, dessa vez da Bjork:
"it's. oh. so quiet/ it's oh. so still/ you're all alone/ and so peaceful until.../ you fall in love/ zing boom/ the sky up above/ zing boom/ is caving in/ wow bam/ you've never been so nuts about a guy/ you wanna laugh you wanna cry/ you cross your heart and hope to die/ 'til it's over and then/ it's nice and quiet/ but soon again/ starts another big riot/ you blow a fuse/ zing boom/ the devil cuts loose/ zing boom/ so what's the use/ wow bam of falling in love [...]"
Sempre achei essa letra uma das coisas mais sensatas já escritas sobre esse tema. É mesmo uma coisa cíclica; e o paixão atual aparentemente apaga a desilusão que a precedeu, e assim por diante. Mas ela se pergunta: qual o sentido de apaixonar-se? Esse blog já ta virando um tratado filosófico sobre a paixão e o amor romântico, mas enfim, deve ser excesso de trabalho, não to tendo cabeça pra escrever sobre coisas, essas eu to escrevendo em outros lugares. Mas essa pergunta, sobre qual o sentido do amor, ela mesma não faz sentido. Não precisa haver nenhum sentido nesse apaixonar-se. Ele é lindo em si mesmo, ele se basta. A felicidade que temos naqueles poucos momentos, dias, semanas de paixão, parece apagar todos os meses ou anos de solidão e desgosto que o precederam. Até que tudo acaba, e a solidão volta, e está tudo "ok", como diz um amigo meu. Mas agora eu faço o papel de advogado do diabo: qual o sentido de não apaixonar-se? Por que evitar viver esses ciclos de calmaria e bagunça? Sim, sua vida é mais previsível e controlada, mais produtiva talvez... Mas sem paixão, teria a vida o mesmo sentido? Ou seja, perguntar-se sobre o sentido do amor, não seria perguntar-se sobre o sentido da vida? "Não busque sentido, viva a vida", alguém apressa-se em dizer sempre. Bom, se fosse assim fácil, não haveria tanta coisa escrita, cantada, filmada, falada, chorada, declamada, gozada, vomitada a esse respeito...
Escrito por Komentarista às 04h05
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Blog deprê
Hoje uma amiga muito querida leu algumas coisas do meu blog e achou um tanto melancólico, o que não deixa de ser verdade. Dei uma relida em algumas coisas antigas, e to achando muito monótono (só falo da mesma coisa toda hora, fico batendo na mesma tecla), e um pouco "pra baixo" mesmo. Mas tudo bem, eu estou tão de saco cheio disso quanto vocês, leitores fantasmas. Mas preciso também respeitar meus ciclos, não adianta fingir que eles não existem, e não adianta negar que eles demoram. Ontem fui numa baladinha à noite (passei uma saia justa antes de ir pra casa, mas tudo bem), e comecei a ver alguma luz no fim do túnel. Espero poder falar coisas mais "pra cima" em breve.
Escrito por Komentarista às 13h50
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Elogio à paixão
O colaborador asiático (ou persa) de Alexandre, ao comentar o olhar desejoso de uma dançarina em direção ao conquistador macedônio, diz que na sua terra o costume dita que o amor em excesso leva à ruína. Em contraste, aquele que ama com ironia (e acho difícil achar uma expressão tão elegante quanto essa para descrever esse sentimento 'desconfiado') tem tudo o que quer. Um elogio à mediocridade talvez? Na cena final, Anthony Hopkins encarnando o narrador (em todos os sentidos: seu personagem narra a um escriba egípcio as suas memórias de Alexandre, e seus diálogos nos guiam pela história do filme), ao encerrar seu relato descrevendo a morte do rei, se questiona a respeito dos motivos que levaram Alexandre a tão vastas conquistas, a tão ousados empreendimentos, a tão sangrentas batalhas. Ele fala de novo em paixão, e ecoa o persa ao dizer que a paixão de conquista em Alexandre era excessiva, e o levou à ruína final. Sua busca de glória, quase insana, irracional (nos termos contemporâneos, é preciso dizer), ao mesmo tempo causou uma diferença que eclipsou as vitórias de muitos, da maioria. A ruína de Alexandre, e aqui jaz talvez o argumento central da leitura de Oliver Stone do herói, foi mais grandiosa que a maior parte das vitórias de seu tempo, e de muitos tempos depois dele. Essa sua jornada solitária de se tornar mito, de se juntar aos seus heróis Hércules e Aquiles no panteão das glórias da Grécia, o levou a alienar seus aliados, a perder seu grande amor Hefestion, a sacrificar vidas e mais vidas e a destruir cidades, impérios. O levou à solidão do poder incompreendido. Mas o mundo não foi o mesmo após sua passagem, e o narrador não pode deixar de se maravilhar diante do fato de o quanto isso tornou Alexandre livre. Um homem que fez do mundo o que quis, que impôs sua vontade ao mundo, alterando-o. Essa estirpe de grande homem (o Übermensch de Nietzsche talvez?) causa o sentimento paradoxal, de admiração e ódio. "Nunca acreditei em seu sonho", diz o narrador, só queríamos viver em paz com nossas mulheres e nossos filhos. Mas quanto sentido o delírio de Alexandre fez a tantos homens que o seguiram, e quanto esses feitos alteraram o rumo das pessoas...
O sentido do mundo é um tema central no filme. Relembro a cena do casamento de Alexandre com uma asiática, ato escandaloso para seus conterrâneos, e que marca uma quebra do rei com os sonhos provincianos de seu exército, o de glorificar a Macedônia e a Grécia pilhando a Ásia e a Pérsia. Stone retrata Alexandre como visionário, que queria impor uma nova ordem das coisas à força se fosse preciso, unindo povos em guerra e construindo algo de novo. O novo é de certa forma sempre escandaloso para aqueles que nunca o experimentaram, e o medo do novo, as reações contra ele são fundamentais na dinâmica da vida. Ao mesmo tempo, há aqueles que não conseguem senão rumar em direção ao novo, e são eles que definem os tempos, são eles que constróem o futuro, trazem o futuro ao presente alterando a ordem das coisas; parece ser essa, a meu ver, uma das mensagens implícitas no filme. De novo a paixão; e nesse sentido que eu debati acima, me considero apaixonado, um sentido muito mais amplo do que a palavra em si mesma consegue transmitir.
Escrito por Komentarista às 00h21
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Te dedico, Naza!
Com essa frase, a personagem de Letícia Spiller se despede de Nazareth (esqueço o nome da atriz que faz essa vilã), saindo do seu quarto na clínica onde ambas estão internadas. Bom, por esse post, acabei confessando que, por falta de melhores opções, estou de volta a uma rotina que já havia abandonado: jantar vendo novela e depois Big Brother (puseram um "intelectual" lá dentro, isso pode ser engraçado, mas isso é outro papo). Estou imerso novamente na total mediocridade, deixando meus neurônios se derreterem nessa rotina, diariamente seguida por milhões e milhões de pessoas, como se fosse o próprio ritmo da natureza, como se fosse a coisa mais natural do mundo, quando eu poderia estar transando, conversando, tendo todo tipo de experiência emocionante e enriquecedora. Mas não posso no momento, então vejo novela mesmo. E já que estou ali vendo novela, por que não confessar meu amor por essa vilãs histéricas e desequilibradas? Acho que uma das paixões mais fortes foi a Maria Regina (esqueço a novela), personagem da excelente Letícia Spiller, que falava tantas coisas maravilhosas, tipo xingar todo mundo de paquiderme. Depois a Adma, uma paixão também muito forte, totalmente desequilibrada, completamente homicida, muito próxima da nossa atual Nazareth. Esta, de tão malvada se aproxima de um monstro, numa estética de filme de terror B (coisa que eu AMO de paixão também). A Nazareth deu azar, a meu ver, de fazer parte de uma novela tão chatinha (calma fãs, opinião minha), mas está provando ser uma vilã à altura do meu amor por essas criaturas psicóticas, que movidas por paixões bizarras cometem todo tipo de atrocidade. Afinal, não é principalmente por amor à filha que Nazareth mata, mente e faz toda a sua maldade? Os autores ultimamente não recorrem a uma "maldade" inerente, mas buscam motivações mais complexas e interessantes. A Adma, apesar de ter encarnado numa atriz que eu amo (esqueço o nome também), era motivada mais por loucura pura e simplesmente. Já Nazareth é movida por todo tipo de demônio, desde sua vida sexual, seu amor à filha, seus ódios. A cena de hoje foi maravilhosa de assistir: uma vilã admirando a outra. Letícia Spiller falando que Nazareth era "má... ravilhosa". Impagável, adorei. A personagem de Spiller sim parece ter aquela maldade mais medíocre, um simples desejo de parecer má, nada a move com a mesma paixão de Nazareth (talvez poder e dinheiro; e por isso mesmo ela é uma vilã "menor" e menos interessante). O leitor mais atento já percebeu um dos motivos que me fazem adorar, mais do que qualquer outro elemento de uma novela, a vilã desvairada: a paixão. Não que eu concorde com as atrocidades que elas fazem (eu mesmo sou hiper careta e correto com essas coisas, e sempre que cometi meia besteira em namoro, por exemplo, em nome de paixão, vou logo me confessando para a pessoa). Mas o aspecto apaixonado delas me chama muito a atenção. Tento entender como o amor, algo tão maravilhoso, pode facilmente se deturpar. Acho que essas coisas servem até de aviso para nossa ética pessoal. Em termos de narrativa, acho maravilhoso o fato também da vilã ser um tipo de "outsider" nas babaquices da novela. Se na novela todos se dão bem, namoram bonitinho, amam e respeitam seus familiares, as vilãs põe o dedo na ferida dessa estrutura social. Elas se permitem ser diferentes dessas normas, que na vida real podem ser opressoras. Aquelas eternas cenas de café da manhã ou lanches, à primeira vista tão agradáveis, escondem sob a superfície tranquila todo tipo de ódio e maquinação, exatamente tudo aquilo que move a novela. As vilãs (pelo menos nesse meu elogio a elas aqui) vivem seus sentimentos mais intensamente, mais à flor da pele, são um pouco mais autênticas, mas pecam ao perderem o controle e acabam sendo punidas (geralmente morrendo no final). Mas me seduzem por esse aspecto autêntico e apaixonado. Se não por isso tudo que falei, eu simplesmente ADORO uma boa vilã, completamente desequilibrada; o resto, infelizmente, não me chama muito a atenção.
Escrito por Komentarista às 00h58
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