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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos [komentarista@uol.com.br]



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O Komentarista
 

Um natal em Minas

Sua boca me disse que não,

mas seus olhos me gritavam que sim.

Seu corpo parecia trancado, me dando uma vontade enorme de abraçá-lo

já tendo experimentado o contrário, acreditei na minha intuição;

passamos a noite toda conversando coisas banais.

Por vezes meu olhar se fixava no seu por longos e perigosos segundos,

e na duração daqueles segundos meus pensamentos me atordoavam,

na tentativa de entender.

Um medo de ultrapassar sua barreira, espantando-o para longe, me dava um frio na barriga

mas tudo que eu queria naqueles segundos era arrombar aquela porta que parecia fechada,

ou pelo menos gritar para dentro daquela casa que eu adoraria entrar um pouco e

continuar o papo mais a vontade.

Talvez fosse só pela aventura, pela curiosidade, mas não importa.

 



Escrito por Komentarista às 15h53
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Feliz ano novo para todos



Escrito por Komentarista às 15h43
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Crônica de uma noite insone

Sempre que passo períodos muito concentrados de trabalho e atividade mental, me bate aquela puta insônia. Da janela da minha casa consigo ver uma rua onde as travestis do centro fazem ponto. Não é a principal zona de prostituição da cidade (penso que no Jóquei Club de Sampa elas trabalhem em maior número do que aqui no centro), mas existem muitas delas. Ontem eu estava mais uma vez fritando na cama, depois de uma longa sessão de trabalho no computador, DVD no computador, surfando a esmo na internet (entre blogs, jornais, revistas, Orkut, fotologs, emails, MSN, fica cada vez mais difícil me desconectar, ainda mais quando não quero ir dormir e minha conexão discada fica tão mais barata à noite), quando escutei, como sempre, os barulhos vindos da noite. Atualmente está sendo realizada uma obra na rua em questão, e fiquei pensando no quanto isto estaria atrapalhando o comércio do sexo na região. Se não me engano há um puteiro nessa rua, portanto existem opções para as travas que não ficam na rua exatamente. Ainda mais num dia como ontem, de chuva fina e constante, acompanhando um friozinho gostoso mas levemente deprimente (depressivo?). Fiquei pensando nos pedreiros (Como se chamam esses caras? Depende do tipo da obra? Não saberia discriminar o que está sendo feito ali), se eles conversam com as travas e os bofes delas que se reúnem em volta de um vendedor de churrasquinhos que funciona durante toda a madrugada. Em dias de calor sem chuva, quando eles estão mais animados, é divertido tentar adivinhar os papos entre as travas e os bofes, comendo seus churrasquinhos e bebendo suas cervejas. As travas sentadas nas cadeiras de plástico, ou saindo de táxis, com micro-saias e saltos altíssimos. De vez em quando alguma tem algum surto e começa a gritar, até que algum morador acaba por chamar a polícia, mas isso aconteceu muito raramente (acho que somente duas vezes) desde que me mudei para cá. Adoraria não morar mais aqui, mas no momento sei que isso é impossível, e fui eu quem saí de um bairro melhor e um esquema até mais barato de moradia para vir pra cá... Queria ser mais independente, queria ser eu mesmo, sei lá por que, hoje em dia fico na dúvida. Bom, mas não vamos repensar tudo de uma vez, ano que vem está aí, tudo será novo e melhor e mais legal em 2005, não é mesmo? Mais dinheiro, saúde e felicidade? Mais amor e amizade? Momentos de transição são difíceis, mas a gente precisa passar por eles para chegar em algum outro lugar, e que seja sempre melhor do que aquele que deixamos.

Escrito por Komentarista às 14h19
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Mais aventuras na cinefilia paulistana

Hoje me lembrei dos momentos iniciais desse blog (toda essa parte eu apaguei faz um tempo, mas os textos ficaram guardados), quando eu escrevia principalmente a respeito de filmes que eu estava assistindo, tendo insights mais teóricos a respeito de teoria de cinema (coisa que eu pretendo pesquisar mais no futuro, nem que seja por hobby), e relatando experiências que eu achava excepcionais. Hoje já não me emociono tanto, talvez por me sentir mais inserido numa rotina de cinefilia que eu desconhecia completamente na cidade. As sessões Comodoro de filmes trash às quartas feiras, os eventuais filmes de graça no Espaço Unibanco, as pré-estréias de filmes seguidas de debates. Engraçado como a gente corre atrás de algumas coisas e elas aos poucos ficam incorporadas a nós depois de algum tempo; por mais que eu sempre fosse interessado nesse tipo de programa cultural, não me sentia parte e não me via frequentando alguns programas regularmente como faço hoje. Bom, mas estou divagando, hoje queria só deixar registrado o evento no Espaço Unibanco, um lançamento de uma reedição de um livro de Glauber Rocha, com coquetel (justo hoje que eu não posso beber), seguido da exibição do filme "Câncer", do Glauber (feito em 1968). Engraçado como eu odiava os filmes do Glauber, não conseguia ver nada ali de interessante, via mais uma falação chatíssima e umas cenas sem pé nem cabeça, uns diálogos intelectualóides mas totalmente vazios... Bom, hoje não penso mais isso, mas demandou muito pensamento e eu precisei perder alguns preconceitos que tinha. Hoje consigo ver muitas coisas legais nos filmes, que uma hora escrevo com mais tempo. Foi emocionante quando a pessoa que introduziu a exibição mencionou a presença da mãe de Glauber Rocha (ela estava na cadeira à minha frente), de sua primeira esposa, e de Paloma Rocha, sua filha (dessa primeira esposa). Tudo isso de graça! Pra quem tem tempo e disposição de ficar um bom tempo numa fila, vale muito a pena eu acho...

Escrito por Komentarista às 01h57
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A vida

Tenho me sentido muito assim ultimamente... Hoje fiquei pensando que meus processos demoram muito, muito mais do que eu gostaria que eles durassem... Que meu racional é muito rápido e meu coração é lento como ele só. Só quero conseguir curtir mais o tempo entre as encruzilhadas, pelo menos isso eu tenho feito... Há muito o que falar sobre esses quadrinhos, mas deixo o leitor a interpretar da sua forma. São sempre escolhas, caminhos, sem um fim aparente. Nietzsche tinha razão? Bom, ele morreu louco. Talvez o melhor seja mesmo fazer análise, como fazem todas as pessoas que fico conhecendo aqui em São Paulo. Mas fazer análise não é simplesmente querer se enquadrar? Não é tomar uma aspirina pra aguentar o sistema? Qual o sentido da existência humana afinal? Por que ficar procurando por algum sentido?



Escrito por Komentarista às 00h45
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